sábado, 19 de maio de 2012

Juliana Aguiar entre as vinte melhores do mundo no MMA

Por  Liliane Pólvora


A atleta Juliana Aguiar, do Júnior Aguiar Team de Joinville, ocupa o
12º lugar no ranking mundial de MMA feminino do mês de maio divulgado pelo site mysportsgeeks.


Lutadora profissional de MMA na categoria de até 61 kg com cartel de oito lutas e cinco vitórias, Juliana é a mais nova brasileira contratada pelo Fury MMA dos Estados Unidos, e estreará sua primeira luta internacional em junho, em Kansas.


No último dia 12 de maio Juliana conquistou mais uma medalha de ouro no Circuito Catarinense de Jiu Jitsu realizado na cidade de Blumenau. Faixa preta em Muay Thai e Kickboxing, Juliana está se aprimorando em outras modalidades como o wrestling e o Jiu Jitsu, buscando aperfeiçoamento para as lutas de MMA, sigla para Artes Marciais Mistas.


Ao longo da carreira a atleta conquistou títulos importantes como o tetracampeonato catarinense, tricampeonato brasileiro, campeonato sul-americano, vice-campeonato mundial de Muay Thai, além do terceiro lugar no campeonato mundial de Jiu Jitsu.


Nas suas duas últimas lutas de MMA no Brasil, Juliana empolgou o público vencendo de virada Alessandra Silva no Nitrix CF em setembro de 2011, no Joinville Square Garden, e no mês de fevereiro ao vencer por pontos Weidy Ventura no Pink Fight, em Porto Seguro.


A preparação técnica de Juliana fica por conta de Júnior Aguiar, seu marido e também seu técnico, que já está de malas prontas para acompanhar Juliana no seu primeiro desafio internacional

quarta-feira, 23 de março de 2011

Rope



Usar cordas navais para melhorar o desempenho físico é mais umas das opções para aqueles que preferem o treinamento bruto e não convencional. As cordas sempre foram a base da old school strength que formou os homens mais fortes do mundo, sendo também uma das atividades preferidas de lutadores de MMA, jogadores de futebol americano e adeptos do kettlebell training.
Além do alto gasto energético, os efeitos desse treinamento de grande intensidade são: aumento de força, potência, resistência aeróbia e anaeróbia. Destro de um programa de atividade física as cordas podem ser direcionadas para atletas de alto rendimento, protocolos de emagrecimento, resistência de força rápida e de longa duração.
Segundo John Brookfield, criandor do battling rope, esse tipo de treinamento visa desenvolver e melhorar sua condição física e mental, pois, resistir a alta intensidade quer dizer jamais desistir. Antes de sair correndo para as lojas de ferragens ou de material de pesca saiba que não é tão fácil de conseguir como se pensa. As cordas para a prática do rope training tem peso, medida de comprimento e diâmetro certos, além de protocolos para serem seguidos nos treinos.
Apesar de ser muito conhecido nas academias dos EUA, no Brasil o rope training ainda é novidade. Mas, cada vez mais profissionais de educação física se rendem aos treinos com materiais simples como a corda e o kettlebell, que buscam restabelecer e aprimorar os padrões motores naturais, prevenindo lesões e melhorando consideravelmente o desempenho atlético, alcançando assim resultados sólidos em curto prazo.

Benefícios do rope training
Alta intensidade – Envolve muitos grupos musculares movimentando todo o corpo e gerando alto gasto calórico, ideal para manter um baixo percentual de gordura corporal;
Estabilização e desenvolvimento do core (músculos do tronco) – em todos os exercícios do rope training o core está envolvido para manter o equilíbrio;
Força de pegada – Os músculos das mãos e antebraços de forma dinâmica ou isométrica;
Coordenação intermuscular – Por meio da ativação de músculos primários e secundários.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

8 mitos estúpidos sobre o agachamento


Todos nós já vimos. Uma pilha de anilhas carregando ao máximo o leg press 45 graus - ás vezes com o incremento de um dedicado parceiro de treino montado em cima do aparelho indo para cima e para baixo como um caubói em um rodeio. Essa obsessão por leg press pesados inspirou uma empresa de equipamentos a desenvolver uma máquina que agüenta até 3.750kg de anilhas! Mas tão impressionante quanto, são os rituais associados com esse exercício: faixa de joelhos apertada ao extremo, cinturão lombar tão justo de fazer inveja a Jessica Rabbit, grunhidos altos que acompanham cada lenta e dolorosa repetição completada, finalmente atingindo um crescente que soa como ARGHHHHHHHHHH assim que o atleta completa a última repetição e deixa o rack pousar sobre as travas de suporte.

O apelo para essa exagerada exibição de ego é em parte responsável pelo fato de que vários praticantes de musculação escolhem quase todos os exercícios de perna que existem menos o agachamento. Aliás, colocar toneladas de peso no leg press chama muito mais atenção do que meros 190 kg em um agachamento completo. Qualquer um que dolorosamente já agachou até o último centímetro antes de encostar-se ao chão sabe que é bem mais difícil do que apenas deslizar um rack por alguns centímetros, independentemente do peso. O fato é que nada é mais difícil e produz mais resultados do que o agachamento – nada.

Se o agachamento não for o maior componente do seu treino de pernas, você está provavelmente dando ouvidos ao “mito-informação” que cerca esse exercício. Para esclarecer de vez o assunto – e tirar você do rack – vou expor em sua consideração os oito mitos mais comuns sobre o agachamento.

Mito #1: Agachamentos alargam os quadris. O mito de alargar os quadris é oriundo do fisiculturista Vince Gironda. Mesmo Gironda tendo contribuído com informações valiosas para o treinamento de força, não existem evidencias cientificas ou empíricas que corroboram com essa crença de que agachamento alarga os quadris. Na verdade, quando o glúteo máximo (um dos músculos primários do agachamento) se desenvolve, ele encolhe e não alarga, porque nem sua inserção nem sua origem são ligadas ao quadril. Se o agachamento alargasse mesmo os quadris, levantadores olímpicos que dedicam até 25% de seus volumes de treino para o agachamento se pareceriam com caixas de correio.

Mito #2: Agachamentos fazem mal ao joelho. Não apenas agachamentos não fazem mal ao joelho, mas todos os estudos legítimos sobre esse assunto têm mostrado que o agachamento melhora a estabilidade do joelho ajudando a reduzir o risco de lesões. A National Strength and Conditioning Association (NSCA) publicou uma excelente revisão de literatura que somada aos dados do Canadian National Alpine Ski Team sugerem que agachar regularmente reduz não apenas a incidência, mas também o tempo de recuperação das lesões que eventualmente ocorrem.

Quando fui contratado para trabalhar com o Canadian National Women´s Volleyball Team, percebi que todas as atletas sofriam de graus variados de uma lesão por excesso de uso conhecida como tendinite patelar ou joelho de saltador. Acredito que o problema era causado em parte por um desequilíbrio estrutural na musculatura inferior do quadríceps chamado de vasto medial obliquo (um músculo com forma de gota de lágrima que se insere no joelho). Para corrigir isso, as atletas praticavam o exercício Peterson´s step up e gradativamente progrediam ao agachamento completo. Apenas uma atleta ainda apresentava joelho de saltador após um período três meses de treinamento apropriado

Contanto que você não relaxe ou bata e suba na posição final da flexão no agachamento, você não precisa se preocupar com nada. Quando você relaxa, a articulação do joelho se abre discretamente expondo o tecido conectivo a níveis de estresse maiores que sua força de tensão. Isso quer dizer que você não pode agachar até o chão? Não. Isso simplesmente significa que se você pausar no final da flexão, você deve manter o músculo tensionado, mantendo uma contração estática ou isométrica. Em outras palavras, não relaxe no final da flexão e permita que o tecido conectivo se alongue como pedaço de caramelo


Mito #3. Só existe uma maneira de fazer agachamento. Tanto faz se ao invés de agachar com a barra apoiada na clavícula você a apóia no trapézio ou usa Zane leg blaster ao invés de uma barra agachamento, você irá forçar adaptação e crescimento muscular.

A maioria dos fisiculturistas gosta de agachar mantendo as costas mais verticais possíveis, uma técnica que aumenta o movimento dos joelhos para frente. Basistas (powerlifters) tendem a agachar flexionando mais o quadril, assim há mínimo movimento do joelho a frente. No esforço para manter as cargas mais altas possíveis, basistas geralmente não agacham tão profundamente quanto os fisiculturistas. Nas áreas da biomecânica e da neurofisiologia, sabemos que a profundidade do agachamento, grau de inclinação para frente e os padrões de movimento do joelho afetam o padrão de recrutamento muscular. Sabemos também que quanto mais você varia seus exercícios, mais unidades motoras você recruta.

Isto significa que fisiculturistas se beneficiariam do agachamento assim como basistas se beneficiam porque eles estariam estimulando um novo conjunto de unidades motoras, e quanto mais unidades motoras envolvidas, maior o crescimento muscular. Ainda, agachando profundamente como fisiculturistas fazem, permitiria aos basistas aumentar o desenvolvimento dos músculos vasto medial oblíquo e isquiotibiais – aumentando assim a estabilidade do joelho. Como diria Tom Platz, fisiculturista que estabeleceu algumas normas no desenvolvimento das pernas, “Meio agachamento, meia perna!”


There are many variations of the squat that offer variety in training.

Mito #4. Você deve agachar até vomitar. Parece que existem praticantes e professores de musculação que ainda acreditam que a intensidade do exercício pode ser medida pelo quanto você vomita. Esta crença bizarra foi discutida no controverso livro de Samuel Wilson Fussell: Confessions of an unlikely bodybuilder (Confissões de um improvável fisiculturista). Não existe verdade nesse mito, e a maioria dos vômitos podem ser prevenidos com condicionamento adequado e escolha mais sabias das refeições pré-treino. Por exemplo, escalopes são digeridos muito mais rápidos do que costelas de porco.

Agachado em uma máquina Smith lugares altos níveis de estresse no ligamento da patela e do ligamento cruzado anterior. Foto por Sarcev Milos.
Mito #5. Agachar no Smith é mais seguro que o agachamento livre. Essa é uma grande mentira, e para provar eu conheço casos de processos que foram abertos por indivíduos que se tornaram tetraplégicos em acidentes que aconteceram enquanto usavam este aparelho. Minha experiência com o agachamento no Smith é que este exercício é muito agressivo para o ligamento patelar e cruzado anterior do joelho e ambos atuam como estabilizadores dessa articulação.

A maioria dos fisiculturistas que usam o Smith realiza o agachamento mantendo o tronco na vertical, uma técnica que minimiza a atuação dos isquiotibiais. Apoiar as costas contra a barra também aumenta a estabilidade do tronco, reduzindo assim o envolvimento dos isquiotibiais. Isso não seria desejável, desde que os isquiotibiais são antagonistas diretos na contração do quadríceps sobre os joelhos e essa “co-contração” neutralizaria forças lesivas nas partes superiores das pernas.

No Smith, a barra esta encaixada em um trilho, isso aumenta a estabilidade e diminui a necessidade de recrutar os músculos neutralizadores e estabilizadores do movimento. No entanto, a força desenvolvida nessas máquinas tem pouca transferência para um ambiente tri-dimensional e instável como ocorre no agachamento livre. Esse é um fato especialmente importante para aqueles que usam a musculação para melhorar o desempenho esportivo.

A verdade é, exercícios com pesos livres devem sempre preceder exercícios em aparelhos e atletas devem limitar o uso de aparelhos em não mais do que 25 por cento do treinamento total

Mito #6. Agachamento faz mal para as costas. Com tanto que você agache com boa postura, o centro de massa da barra não se deslocará do seu centro de gravidade e isso já é preventivo de lesão. Alguns treinadores recomendam agachar rodando a pelve posteriormente, mantendo as costas retificadas ou levemente arredondadas – uma técnica freqüentemente usada em aulas de aeróbicas em uma errônea tentativa de aumentar a ativação dos glúteos. Agachar com esta postura impõe tensão excessiva nos ligamentos e em outros tecidos conectivos das costas.

Para proteger as estruturas ligamentares das costas, deve-se agachar com leve arco na lombar. Essa forma de agachar aumenta o estresse na musculatura compensando o não uso dos ligamentos no suporte da coluna. Esta técnica pode estar associada com uma maior incidência de estiramento na musculatura lombar, mas deve-se entender que a alternativa seria uma lesão de ligamento. Considerando que os músculos levam de 3 a 8 dias para se recuperar de uma ruptura leve ou de grau1, sendo que um estiramento ligamentar leva pelo menos 21 dias para cicatrizar, a decisão de arquear as costas se torna relativamente fácil.

Outra importante técnica de segurança é agachar com as mãos para dentro e os cotovelos encaixados diretamente sob a barra, o que ajuda a manter o torso vertical durante o movimento. Você também deveria tentar algumas séries mais leves sem o cinturão lombar, já que isso estimularia o desenvolvimento dos músculos do tronco que ajudam proteger a coluna. Porém, sempre use o cinturão em series muito pesadas!

Alguns iniciantes acham o agachamento desconfortável para coluna superior e podem minimizar este desconforto enrolando uma toalha em volta da barra. Eu fortemente advirto quanto a esta pratica. O maior diâmetro da barra causado pela toalha pode ser lesivo para o pescoço e aumenta o risco da barra rolar para baixo sobre as costas – eu já vi isto acontecer em várias ocasiões.

Uma idéia melhor seria usar um artefato chamado de Manta Ray. Distribuir o peso sobre uma maior quantidade de músculos minimiza o estresse sobre trapézio, e isso acontece sem modificar o centro de massa da barra. O único problema é que os comerciais dizem que um tamanho serve para todos, mas indivíduos com trapézios grandes podem achar o acessório desconfortável. Outra opção é usar um dos vários protetores de barra almofadados que distribui o peso um pouco diferente quando comparado ao agachamento com barra sobre os trapézios. A melhor maneira de aliviar o desconforto é simplesmente desenvolver os trapézios.

Mito #7. Agachar torna os atletas mais lentos. O desempenho no agachamento esta diretamente relacionado com sucesso em competições de track and field assim como em vários outros esportes. Um bom exemplo da correlação entre agachamento e desempenho esportivo é o sucesso do competidor de bobsled Ian Danney, que se tornou um dos mais bem sucedidos técnicos de musculação de jogadores de futebol americano. Daney já realizou o agachamento frontal com 261 kg para duas repetições com o peso corporal de 116 kg. Outros atletas impressionantes que eu já vi são a esquiadora Kate Pace, que agachou com 165 kg para 3 repetições com peso corporal de 95 kg; e a esquiadora de montanha Michelle McKendry-Ruthven que realizou 66 repetições de agachamento em 60 segundos com 70 por cento de seu peso corporal.

O que é melhor para os atletas: agachamento livre (barra nas costas) ou agachamento frontal? Embora o desempenho no sprint esteja mais correlacionado com o agachamento frontal do que o agachamento livre, eu acredito que esse fato acontece porque meus colegas cientistas do esporte interpretaram de maneira diferente a maneira como agachamento livre deveria ser executado. No agachamento frontal, o peso se concentra sobre a clavícula e a técnica é bastante convencional. Em contraste, existem várias técnicas de agachamento livre, algumas mais eficientes que outras em relação ao desempenho no sprint.

Mito #8. Agachamentos fazem mal ao coração. Agachamentos aumentam temporariamente a pressão arterial, mas o coração se adapta a esse estresse de maneira positiva aumentando o diâmetro do ventrículo esquerdo.

Curiosamente, estudos mostraram que se exercitar no leg press 45 graus aumenta a pressão arterial três vezes mais do que o agachamento. Claro que se você sofre de doença cardiovascular ou há incidência familiar desta doença, deve-se consultar um experiente médico do esporte antes de ingressar em um programa serio de agachamentos.

Enquanto eu acredito que o agachamento é o rei dos exercícios, ele não é toda família real. Há vários fisiculturistas que atingiram altos níveis de massa muscular focando seu treinamento de pernas em hack squats, afundos e leg presses. Do mesmo modo, vários atletas atingiram altos níveis de desempenho sem o uso agachamento. No entanto, eu acredito que a maioria dos atletas poderia atingir um novo apogeu no aspecto físico se incorporassem o agachamento em seu treinamento.

O agachamento tem sido um exercício injustamente caluniado. Se você deseja incluí-lo ou não em seu programa de treino, é uma decisão pessoal, mas tenha certeza de basear sua decisão em fatos e não mitos.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

domingo, 7 de novembro de 2010

Porque nunca me disseram isso antes?

Por João Rosário

A ciência do esporte evolui, consagrando hábitos, derrubando crenças e nos deixando a pergunta: será que eu estou treinando certo?

Os estudos em educação física estão cada vez mais avançados e algumas das crenças mais sagradas no universo do treinamento estão sendo derrubadas. Até mesmo algumas novidades que acabaram de chegar, já estão sendo colocadas em xeque.

Mas enquanto a ciência dá suas voltas no caminho do conhecimento do nosso corpo, o importante é manter o centro e o foco: que é treinar com prazer, segurança e planejamento.


Alongamento ou movimento preparatório?
Desde sempre o alongamento antes da atividade física é recomendado a fim de preparar o músculo e evitar lesões. Será mesmo necessário?

Existe um mecanismo de proteção do músculo chamado de reflexo de alongamento. Quando se alonga o músculo de forma excessiva por um período tempo, esse mecanismo contrai o músculo para o proteger de possíveis lesões. Essa contração, via de regra interfere no desempenho muscular e o resultado é um treino não tão eficiente. Pesquisas comprovaram que o alongamento estático antes de participar de um esporte pode diminuir a capacidade de um atleta para gerar potência, velocidade e aceleração.

A alternativa mais indicada em pesquisas recentes é a realização de movimentos preparatórios. Uma série de exercícios dinâmicos que aumenta a temperatura central, o fluxo de sangue para os músculos e prepara o sistema nervoso para a atividade física.


Menos é mais!
É cultural achar que quanto mais peso na musculação melhor. Culpa da influência do halterofilismo nas bases do treinamento da musculação.

O aumento indiscriminado da carga no treino contribui e muito para gerar ou agravar lesões. Tanto que, mesmo para os atletas de elite do levantamento de peso, não é comum usar cargas elevadas.

Em agosto foi publicado um trabalho liderado por Stuart Philips da McMaster University no Canadá, onde foi constatado que a produção de novas proteínas musculares, responsáveis pela hipertrofia, é maior quando se exercita com cargas menores e até a exaustão.


Superfícies instáveis
Também conhecidas como fitballs ou bolas suíças, usadas para exercícios abdominais, flexão de braço ou supino com o objetivo de ativar mais fibras musculares profundas. A eficácia da base instável também têm sido questionada. Um estudo publicado pela NSCA (National Strength and Condiotioning Association) revela que não existe diferença de ativação entre as duas superfícies (instável X fixa).

O mais importante é treinar o movimento para ter maior mobilidade, agilidade, potência, força e melhorar não só o desempenho nos esporte praticado, mas nas atividades do cotidiano.


Abdominais: como treinar?
Os músculos abdominais são estabilizadores e devem responder rapidamente, para isso, devem ser treinados da forma dinâmica e com a mais alta qualidade possível. Também é válido treinar as posturas estáticas onde o alinhamento pode ser um desafio.

Uma dúvida muito comum é qual o melhor exercício para o reto abdominal e se existe divisão entre inferior ou superior. O reto abdominal é um músculo grande que se estende desde o apêndice xifóide na parte inferior da caixa torácica até a sínfise púbica e tem como funções básicas a flexão e resistência à extensão do tronco e inclinação pélvica.

O comum no treinamento do reto abdominal é um ciclo de flexão e extensão de coluna puxando para baixo a caixa torácica, isso pode aumentar a cifose e a probabilidade de dores de ombro e manguito rotador.

O abdominal não pode ser dividido em inferior e superior, muitos acham que elevação de perna “pega mais” porque fica mais dolorido e é mais difícil do que flexões de coluna. Está comprovado que este tipo de exercício aumenta a dor muscular tardia.
Confira esse e outros artigos na Revista GO!FASTER

sábado, 2 de outubro de 2010

Kettlebell, o artefato medieval que ganhou espaço nas planilhas de treinamento


Por João Rosário

Uma bola de ferro parecida com uma bala de canhão com uma alça em cima, o kettlebell é um dos mais efetivos instrumentos para um corpo forte e saudável. Apesar de ser considerada uma novidade há relatos do uso do kettlebell em dicionários russos de 1704. Originalmente contra-peso de balanças em mercados, no final de cada dia de trabalho "as bolas de ferro" eram usados para demonstrações de força, resistência e coordenação.

O kettlebell movimenta todo o corpo exigindo uma constante ativação dos músculos do core (quadril-pelve-lombar, coluna torácica e cervical) além de proporcionar maior flexibilidade, aumento de força, resistência muscular, potência, grande gasto calórico, mecanismos de prevenção de lesões. Ao iniciar um treinamento regular em pouco tempo o praticante já percebe mudanças significativas no corpo.

Todos esses resultados proporcionados pelo Kettlebell training levou o American Council on Exercise a realizar estudos sobre a eficácia dos exercícios levando a descobertas impressionantes. Ao analisarem um treino executando snatches (levantar o kettlebell sobre a cabeça) por 20 minutos tiveram um gasto calórico médio de 20 calorias por minuto, ou 400 calorias durante toda a sessão. Um atleta pesando 68 quilos correndo por 20 minutos em um ritmo de seis minutos por milha queima 364 calorias.

Eficiente e seguro

Usado corretamente se alcança resultados que por outras ferramentas só poderiam ser alcançados com a combinação de outras atividades. Eficiente quanto aos resultados e seguro em sua prática somente 8,8 por cento dos membros do Russian National Team e outros times relataram lesões durante treinos ou competições. Em comparação com a corrida de rua, segundo um estudo realizado em Curitiba, é de 29,8 e 23,9% para homens mulheres, respectivamente, relataram lesões.


Para qualquer fim

Tradicionalmente utilizado na preparação física do serviço militar russo, por volta dos anos 2000 o kettlebell foi introduzido nos EUA por Pavel Tsatsouline. Nos EUA a "bola de ferro" também é utilizada no treinamento das forças armadas americanas, assim como, por atletas da NBA/ NFL, lutadores de jiu-jitsu, vale-tudo e MMA como parte da rotina de treinos. O Kettlebell é comprovadamente a ferramenta mais eficiente no condicionamento físico tanto de atletas profissionais, militares, pessoas fisicamente ativas quanto para aquelas pessoas que querem deixar de ser sedentárias.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Mais Exercício e Menos Remédio - Estudo do Celafiscs Que Estará no Simpósio

Agência FAPESP – Um estudo verificou que mulheres acima de 60 anos que praticam 150 minutos por semana de atividades físicas moderadas, como caminhadas, consomem menos remédios em comparação às que não têm o mesmo hábito.

A conclusão é de Leonardo José da Silva, no trabalho de mestrado “Relação entre nível de atividade física, aptidão física e capacidade funcional em idosos usuários do programa de saúde da família”, realizado na Universidade Federal de São Paulo com Bolsa da FAPESP.

Silva acompanhou 271 mulheres com idade acima de 60 anos que participaram do Programa de Saúde da Família, organizado pela Prefeitura Municipal de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.

As participantes que cumpriram um programa de exercícios variados de no mínimo 150 minutos semanais apresentaram consumo de medicamentos 34% menor em comparação às mais sedentárias.

“Esse tempo mínimo de exercícios de 2,5 horas semanais é preconizado pela American Heart Association e pelo American College of Sports Medicine”, disse Silva à Agência FAPESP. Com menos de 10 minutos semanais de atividade física o indivíduo é considerado sedentário e entre 10 minutos e 150 minutos de exercícios por semana ele é categorizado como insuficientemente ativo.

Os resultados do estudo de Silva foram apresentados em maio no 3th International Congress Physical Activity and Public Health realizado em Toronto, no Canadá.

Silva contou com uma parceria entre a Unifesp e o Centro de Estudos de Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (Celafiscs). Guiomar Silva Lopes, professora do Departamento de Medicina Preventiva da Unifesp e orientadora de Silva, considera o programa oferecido pela cidade paulista aos idosos uma valiosa fonte de pesquisa. “Trata-se de uma população pequena e estável, o que facilita o acompanhamento dos participantes durante prazos mais longos”, disse.

As atividades físicas disponibilizadas incluem caminhadas, exercícios de aprimoramento de força muscular, equilíbrio, flexibilidade e capacidade aeróbica. Há também visitas domiciliares feitas por agentes de saúde, nas quais os idosos são incentivados a praticar atividades físicas frequentes, como ir ao mercado ou fazer um passeio a pé.

O consumo de remédios das participantes da pesquisa foi avaliado por meio do cadastro da Secretaria Municipal da Saúde de São Caetano do Sul. Na base de dados estão registradas informações relevantes sobre todos os participantes do Programa de Saúde da Família, incluindo os medicamentos consumidos regularmente.

Economia de medicamentos

Segundo Guiomar, os resultados do estudo poderão subsidiar políticas públicas que incentivem a atividade física visando à prevenção e controle das doenças crônicas associadas ao envelhecimento, reduzindo despesas com medicações e internações.

“Podemos perceber a importância desse estudo ao constatar que o idoso consome, no mínimo, cinco medicamentos associados a doenças ligadas ao envelhecimento”, disse a orientadora.

A relação causa e efeito entre atividade física e consumo de medicamentos ainda está sendo estudada. A redução dos níveis de pressão arterial proporcionada pela atividade física é uma das hipóteses levantadas pelo estudo de Silva, uma vez que a doença é uma das mais comuns entre a população idosa, estando presente em mais da metade das pessoas acima de 60 anos.

O diabetes, com prevalência de 25% entre idosos, é outra enfermidade afetada pelo nível de atividade física. “Há estudos indicando que exercícios respiratórios aumentam a sensibilidade do organismo à insulina”, comentou a professora da Unifesp.

Esse efeito é importante para as pessoas em cujos organismos a insulina não atua de maneira eficiente. “A resistência à insulina tem alta prevalência na população idosa e se caracteriza pela menor resposta à insulina, com aumento discreto da glicemia e da insulinemia. Estes fatores juntos contribuem para a obesidade e o aumento do risco de doenças cardiovasculares”, disse.

As mulheres são as que mais se beneficiam da prática de atividades físicas, no caso levantado em São Caetano do Sul. Guiomar conta que a pesquisa se restringiu ao público feminino porque ele representa a grande maioria dos participantes do programa.

A professora ressalta que não são completamente conhecidas as razões que levam a menor participação masculina nessas atividades. “Sabemos que a mulher tem expectativa de vida um pouco maior do que a do homem, aumentando a frequência de mulheres viúvas e sozinhas, porém esse fato não explica a absoluta ausência masculina”, disse.

Segundo Silva, o estudo destaca o fortalecimento da medicina preventiva, área que se encontra em crescimento e tem laços com a educação física. “A prescrição de medicamentos ainda é preponderante na prática médica. Podemos diminuir esse consumo de remédios com métodos de prevenção baratos e simples como a atividade física”, sugeriu.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Hidratação

Quanta água você deve beber?

por Charles Poliquin

Hidratação é o maior determinante da força. Uma queda de 1,5 % nos níveis de água traduz em queda de 10% de sua força máxima. Certifique-se pesar o mesmo ou mais no final do treino. Níveis altos de água = mais séries e reps = maiores mudanças. Tenha um ótimo treino.

Um estudo recente mostrou que homens que bebem cinco copos de água por dia vs 2 copos por dia, tiveram um risco 54% menor de morrer de ataque cardíaco.

Quanto você deve beber:
39 ml / kg de peso corporal, ou seja, 3,55-4,14 l para um homem de 91 kg.

Kettlebell no RBS Esporte

Dinâmico, eficiente, desafiador, o kettlebell ganha cada vez mais espaço e apesar um artefato muito antigo atualmente vêm sendo considerado um dos mais revolucionários programas de treinamento. Assista a matéria exibida no RBS Esporte Santa Catarina.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Confusão cinética: Será que a sua bunda pensa que é o seu pé?

Um fato inegável na vida. Nós sentamos...e nos sentamos muito. Quer seja na frente do computador, dirigindo , assistindo TV, em reuniões, jantando, a vida está se tornando cada vez mais sedentária para muitos indivíduos no mundo "moderno".

Com longos trajetos para chegar a empresa e a relação entre trabalho e computador, a cultura da TV, os efeitos em nossos corpos são quase muito lentos para perceber até que eles estejam enraizados e aí será tarde. Começando pela escola onde a criança é forçada a grandes períodos sentada, com menos tempo de recesso, com poucos recursos para educação física e menos programas esportivos inibindo gradualmente o equilíbrio, consciência proprioceptiva e outras habilidades neurológicas. Na população adulta a dor está relacionada a confusão cinética.


De acordo com movimento de cadeia cinética fechada que o fundador da FMS – Functional Movement System –, Gray Cook, o pé é a raiz do nosso movimento e que relaciona o corpo ao solo para alavancagem. Assim, o pé tem de criar uma plataforma estável de ligação ao solo para permitir que o resto da cadeia cinética para criar um movimento eficaz.


Em seguida acima da cadeia, o tornozelo deve ser móvel, o que permite o joelho para ser estável e do quadril para ser móvel. Segundo Cook o funcionamento ideal da cadeia cinética é:


Pé - estável

Tornozelo - móvel

Joelho - estável

Quadril - móvel

Lombar - estável

Coluna torácica - móvel

Cervical - estável

Axis e vértebra atlas - móvel


Assim você pode ver que cada uma das sucessivas articulações ou conjuntos de articulações tem a função oposta das articulações vizinhas. Assim, os problemas surgem quando essas articulações ou articulações conjuntas ficam bloqueadas ou agindo da maneira oposta a que se destina. Claro que não são as únicas funções que essas articulações se destinam.

O que acontece com o sedentário?

A sua bunda se torna o principal ponto de contato do seu corpo ao solo (por meio de uma cadeira). Portanto, os quadris que estavam destinados a serem móveis e usando os glúteos transformar-se em seu principal ponto de estabilidade. Os glúteos passar horas em estender e encurtar os flexores do quadril. A lombar começa a se tornar mais e mais móvel para você chegar para as coisas e movimentar-se, mantendo a sua posição sentada.

A coluna torácica endurece até para manter alguma aparência de postura, e a próxima passo é sentir dores lombar, ombro e pescoço... e sua bunda agora pensa que é o seu pé.


Pretende não fazer esta confusão cinética? Levante-se e pegue um kettlebell.

Texto do Dr. Mark Cheng traduzido e adaptado.

segunda-feira, 22 de março de 2010

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Tempo de Tv e Mortalidade.

Celafiscs - Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de SCS
Programa Agita São Paulo

Em 2009, um time de peso constituído por Peter T. Kartzmarzyk, Timothy S. Church, Cora L. Craig e Claude Bouchard, publicaram um artigo na Medicine Science Sport Medicine e considerado por muitos como um marco na saúde pública. Segundo os autores, quanto maior o tempo sentado maiores as chances de mortalidade por todas as causas e doenças cardiovasculares. Entretanto, não houve associação entre tempo sentado e mortalidade por câncer. Incrivelmente, nem os indivíduos mais ativos ficaram livres desta associação. Os piores resultados foram encontrados entre os obesos.

O comportamento sedentário é um dos grandes desafios a ser vencido na era contemporânea, isto porque, o sedentarismo está associado à mortalidade prematura por todas as causas. Recentemente, a Organização Mundial da Saúde publicou um report dos principais fatores que contribuem para a mortalidade global. A inatividade física foi responsável por 5,5% das mortes no mundo, sendo a quarta maior causa de mortalidade superando a obesidade e o excesso de peso.

Apenas um estudo encontrou relação entre o tempo sentado no ambiente de trabalho e mortalidade. Neste caso, o câncer de próstata entre 45.887 homens com idade com 45 a 79 anos foi mais incidente entre os que permaneciam a maior parte do tempo sentado (Orsini N et al, 2009).

Para a surpresa de muitos, um estudo publicado na conceituada Circulation, de janeiro, veio mostrar ao mundo científico que o tempo que uma pessoa passa assistindo à televisão é um preditor de mortalidade. Estudos anteriores haviam encontrado associação entre tempo de tv e obesidade e excesso de peso, principalmente nos mais jovens. Matsudo SMM (1997), por exemplo, concluiu que mais de quatro horas de tv por dia reduziu força de membros inferiores, velocidade, potência aeróbica e aumentou adiposidade em meninos e meninas de Ilha Bela.
Dartagnan Pinto Guedes em 2001 encontrou que meninos e meninas permaneciam na frente da tv, computador e vídeo game em média de 29 e 24 horas semanais, respectivamente. Porém, nas atividades de lazer e esportes os meninos realizavam 3,5 horas semanais contra 0,49 das meninas.

Este novo estudo, conduzido por Dunstan DW e colaboradores, é o primeiro a demonstrar a associação entre tempo de tv e mortalidade. A amostra foi composta por 8.800 adultos com idade igual ou superior a 25 anos de idade pertencentes ao Australian Diabetes, Obesity and Lifestyle Study (AusDiab). Durante o período de seguimento (6,6 anos) 284 mortes foram identificadas, sendo 87 (31%) por doenças cardiovasculares, 125 (44%) por câncer e 72 (25%) de não cardiovascular e nem câncer. O tempo de tv foi categorizado em três grupos: < 2 h/dia, de ≥ 2 a < 4 h/dia e ≥ a 4 h/dia. Após ajustar os resultados por idade, sexo, circunferência da cintura e exercício, o tempo de tv foi associado a mortalidade por todas as causas e por doenças cardiovasculares. Nesta pesquisa, mortalidade por câncer também não obteve relação.
Outras informações mostraram um interessante desfecho.
A cada uma hora de tv a mais aumentou em 11% a mortalidade por todas as causas e de 18% para mortalidade cardiovascular. Quando o grupo que ficou mais tempo assistindo televisão (≥ 4 h/dia) foi comparado com o grupo que ficou menos tempo na frente da tv (< 2 h/dia) o risco de mortalidade por todas as causas foi de 46% e por doenças cardiovasculares de 80% maior.
Estamos de frente de um novo fator de risco para mortalidade, que há algum tempo vem sendo associado à obesidade, mas que agora ganha força com as novas pesquisas epidemiológicas.
Essas evidências científicas nos permitem concluir que não só a população deve ser mais ativa, mas também reduzir o tempo sentado e o tempo assistindo televisão, a fim de reduzir os riscos de morbidade e mortalidade.

Fonte de Pesquisa

Dustan DW; Barr ELM; Healy GN; Salmon J; Shaw JE; Balkau B; Magliano DJ; Cameron AJ; Zimmet PZ; Owen N. Television viewing time and mortality. The Australian Diabetes, Obesity and Lifestyle Study (AusDiab). Circulation. 2010; 121:384-391.